As desordens orais potencialmente malignas representam alterações da mucosa bucal que podem evoluir para câncer, configurando um relevante problema de saúde pública devido à elevada morbimortalidade associada ao diagnóstico tardio do câncer bucal. Entre as principais lesões destacam-se a leucoplasia, a eritroplasia, a queilite actínica e o líquen plano oral, condições que muitas vezes são identificadas inicialmente durante o exame clínico realizado pelo cirurgião-dentista. Nesse contexto, o objetivo geral deste estudo foi analisar o papel estratégico do cirurgião-dentista na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer bucal por meio da identificação dessas desordens, considerando seus aspectos clínicos, fatores etiológicos e potencial de transformação maligna. A metodologia adotada consistiu em uma revisão de literatura de caráter descritivo, realizada em bases de dados científicas, com a seleção de artigos publicados nos últimos dez anos em português e inglês, relacionados ao tema proposto. A análise dos estudos permitiu compreender a importância do exame clínico sistemático da cavidade oral, da anamnese detalhada e da identificação de fatores de risco, como tabagismo, consumo de álcool, exposição solar e infecção por HPV. Os resultados evidenciaram que o diagnóstico precoce dessas alterações pode contribuir significativamente para a redução da progressão para o câncer bucal e para melhores prognósticos clínicos. Concluiu-se que a atuação do cirurgião-dentista é fundamental no rastreamento, acompanhamento e encaminhamento adequado dos pacientes, reforçando a necessidade de capacitação profissional contínua e fortalecimento das estratégias de prevenção e educação em saúde na prática odontológica.
Palavras-chave: Detecção Precoce de Câncer; Fatores de Risco; Doenças da Boca; Leucoplasia; Diagnóstico Tardio.