A saúde bucal exerce influência direta sobre o curso da gestação, embora esse vínculo ainda seja pouco reconhecido por gestantes e, em muitos casos, pelos próprios profissionais que conduzem o pré-natal. Este trabalho apresenta uma revisão da literatura sobre a relação entre doença periodontal e complicações obstétricas, com foco nas barreiras que dificultam o acesso das gestantes ao pré-natal odontológico. A pesquisa apontou que o aumento dos níveis hormonais durante a gravidez agrava a resposta inflamatória gengival e favorece a colonização por patógenos como a Fusobacterium nucleatum e a Porphyromonas gingivalis, associados a parto prematuro, baixo peso ao nascer e pré-eclâmpsia. Do ponto de vista do acesso, identificaram-se barreiras de ordem cultural, econômica, infraestrutural e interprofissional. O Programa Previne Brasil produziu avanços mensuráveis na cobertura odontológica das gestantes, mas a qualidade do atendimento prestado permaneceu desigual. Concluiu-se que superar esse cenário exige educação permanente das equipes e integração real entre os profissionais de saúde que acompanham a gestante.
Palavras-chave: Doença periodontal; Saúde bucal materna; Desfechos gestacionais; Pré-natal odontológico; Barreiras de acesso.