A Integração Sensorial ocupa espaço crescente na Terapia Ocupacional brasileira, porém sua expansão precisa ser analisada de forma crítica, distinguindo a Integração Sensorial de Ayres de estratégias sensoriais genéricas e relacionando a intervenção ao desempenho ocupacional. Este artigo objetiva revisar marcos normativos e científicos que sustentam essa consolidação no Brasil e discutir limites para sua ampliação responsável. Foi realizada revisão narrativa estruturada, em agosto de 2026, com consulta a documentos oficiais do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, estudos brasileiros, ensaios clínicos e revisões sistemáticas recentes. No Brasil, a Resolução COFFITO nº 483/2017 reconheceu a Integração Sensorial como recurso terapêutico da Terapia Ocupacional e definiu competências, ambientes de atuação e responsabilidades profissionais. Um ensaio randomizado brasileiro com 17 crianças autistas encontrou resultados superiores ao cuidado usual em autocuidado, função social e metas individualizadas. Revisões recentes, entretanto, reforçam que os melhores resultados se concentram em metas de desempenho, função e participação, e não em redução inespecífica de comportamentos. Um grande ensaio britânico com 138 participantes não encontrou efeito principal sobre irritabilidade aos seis meses, embora tenha observado melhora em metas percebidas pelos cuidadores. Conclui-se que a expansão brasileira é mais defensável quando acompanhada de avaliação, fidelidade, formação específica, tomada de decisão baseada em dados e mensuração de desfechos ocupacionais.
Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Integração Sensorial, Integração Sensorial de Ayres, Desempenho Ocupacional, Prática Baseada em Evidências