O brincar é uma ocupação central da infância e pode constituir, na Terapia Ocupacional, tanto um objetivo de intervenção quanto um meio para favorecer participação, interação social, autonomia e aprendizagem. Este artigo teve como objetivo analisar evidências sobre o uso do brincar no atendimento de crianças autistas, com ênfase em brincadeira espontânea e guiada, imitação, modelagem, brincadeira simbólica, atenção compartilhada, mediação por pares e cuidadores e adaptação de contextos. Realizou-se revisão narrativa estruturada em agosto de 2026, com consulta a PubMed/MEDLINE, periódicos científicos, documentos da American Occupational Therapy Association e normativa do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Foram priorizadas revisões sistemáticas, metanálises, ensaios clínicos e estudo de métodos mistos pertinente à perspectiva infantil. A síntese quantitativa mostra efeitos favoráveis em habilidades de brincar e alguns desfechos sociais, porém com heterogeneidade elevada entre estudos. Evidências específicas da Terapia Ocupacional sustentam estratégias como imitação da criança, modelagem e combinação de brincadeira livre e guiada. Dados qualitativos reforçam que participação social não deve ser presumida como objetivo uniforme e que a perspectiva da própria criança precisa orientar a intervenção. Conclui-se que o brincar deve permanecer significativo, motivador e centrado na criança, com objetivos funcionais mensuráveis, participação familiar quando pertinente e avaliação contínua de generalização e satisfação.
Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Brincar, Transtorno do Espectro Autista, Participação Social, Infância