Crianças com diagnósticos concomitantes podem apresentar combinações de dificuldades motoras, sensoriais, executivas, acadêmicas, de autocuidado e de participação que não são adequadamente explicadas por um único rótulo diagnóstico. Este artigo objetiva sintetizar estratégias de Terapia Ocupacional aplicáveis a crianças com dois ou mais diagnósticos ou condições coocorrentes, priorizando intervenções centradas em ocupações, metas funcionais, tarefas, ambiente e família. Foi realizada revisão narrativa estruturada de estudos pediátricos primários e documentos profissionais, com busca dirigida em PubMed/MEDLINE, páginas oficiais de periódicos, American Occupational Therapy Association e Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, consultados em agosto de 2026. Evidências diretamente relacionadas à coexistência diagnóstica mostraram melhora de metas funcionais após CO-OP em crianças com transtorno do desenvolvimento da coordenação com ou sem TDAH e em crianças autistas com transtorno do desenvolvimento da coordenação; treinamento orientado à tarefa também produziu ganhos motores em escolares com transtorno específico da aprendizagem, transtorno do desenvolvimento da coordenação e, em parte da amostra, TDAH. Estudos sobre adaptação ambiental, integração sensorial e coaching parental complementam o raciocínio clínico, mas seus resultados devem ser aplicados conforme o perfil funcional e os limites de cada desenho de pesquisa. Conclui-se que a intervenção deve ser organizada pelo desempenho ocupacional e pela participação, e não pela simples soma de protocolos associados a cada diagnóstico.
Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Transtornos do Neurodesenvolvimento, Desempenho Ocupacional, Participação, Cuidado Centrado na Família