A seletividade alimentar é frequente em crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e pode repercutir na variedade da dieta, na participação nas refeições e na rotina familiar. Este artigo analisa contribuições da Terapia Ocupacional para seu manejo, com ênfase em avaliação funcional e sensorial, adaptação de contextos, participação dos cuidadores e articulação multiprofissional. Realizou-se revisão narrativa estruturada, em agosto de 2026, com consulta a PubMed/MEDLINE, estudos indexados e documentos oficiais profissionais. Foram priorizados estudos com dados quantitativos e qualitativos sobre seletividade alimentar, processamento sensorial, intervenções e risco nutricional. Os achados confirmam maior recusa e menor repertório alimentar em amostras de crianças autistas, associação entre sensibilidade oral e seletividade, risco relevante de inadequações nutricionais nos quadros graves e benefícios de programas estruturados de treinamento parental. A literatura especificamente liderada por terapeutas ocupacionais ainda é limitada e heterogênea, o que impede recomendar um protocolo único. A atuação terapêutico-ocupacional é mais consistente quando relaciona fatores sensoriais, habilidades, ambiente e demandas da refeição a metas de participação mensuráveis, inclui a família sem culpabilização e reconhece sinais que exigem avaliação nutricional, médica ou de deglutição. Conclui-se que o manejo deve ser individualizado, não coercitivo, centrado na participação e integrado à equipe, com monitoramento de resultados no cotidiano.
Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Seletividade Alimentar, Transtorno do Espectro Autista, Participação Familiar, Alimentação