Os abusos físicos, sexuais e psicológicos, bem como a negligência, podem ocorrer em qualquer classe social, devendo ser combatidos como um problema de saúde pública. Nesse contexto, o cirurgião-dentista ocupa posição estratégica no reconhecimento dos casos de maus-tratos infantis e em sua devida notificação aos órgãos competentes. O objetivo deste estudo foi descrever a atuação do cirurgião-dentista diante de casos de maus-tratos infantis, considerando suas atribuições profissionais. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, baseada em produções científicas publicadas entre 2016 e 2026, nas bases de dados PubMed, LILACS e BVS. Os resultados destacaram que as medidas preventivas são fundamentais para a redução dos casos, ressaltando o papel do cirurgião-dentista no reconhecimento da violência infantil. Histórias desconexas apresentadas pela criança ou pelos responsáveis, recusa em se comunicar, demonstrações de ameaça e a presença de lacerações constituem sinais sugestivos e fatores de suspeição para casos de violência. Contudo, esse profissional enfrenta entraves relacionados ao conhecimento ético e legal, aos conceitos e às formas de ocorrência dos maus-tratos, ao reconhecimento das manifestações orais sugestivas de violência e à realização adequada da notificação compulsória.
Palavras-chave: Abuso Infantil; Notificação; Cirurgião-dentista.