As infecções do trato urinário causadas por Escherichia coli representam um dos principais desafios clínicos no ambiente hospitalar, especialmente diante do avanço da resistência antimicrobiana e da consequente limitação das opções terapêuticas. O objetivo deste estudo foi compreender o perfil de resistência antimicrobiana de Escherichia coli associada às infecções do trato urinário em pacientes hospitalizados no Brasil. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com buscas nas bases de dados Google Acadêmico, SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde, considerando publicações entre 2020 e 2026. Os resultados evidenciaram que E. coli é responsável pela grande maioria dos casos de infecção urinária hospitalar, com maior prevalência em pacientes do sexo feminino, idosos e imunossuprimidos. Os principais mecanismos de resistência incluem a produção de β-lactamases de espectro estendido (família CTX-M), hiperexpressão de bombas de efluxo AcrAB-TolC, mutações nos genes das topoisomerases e alterações nas porinas da membrana externa. Penicilinas e fluoroquinolonas apresentaram as maiores taxas de resistência, enquanto fosfomicina e carbapenêmicos demonstraram maior eficácia frente aos isolados hospitalares. Conclui-se que o enfrentamento desse cenário exige estratégias integradas, como programas de gerenciamento do uso de antimicrobianos, vigilância microbiológica sistemática e construção de antibiogramas cumulativos institucionais.
Palavras-chave: Resistência antimicrobiana; Escherichia coli; Infecção do trato urinário; Ambiente hospitalar; Multirresistência.