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Editora Novus

Capítulo 10

Título

IMPACTOS DA AUTOMEDICAÇÃO COM ANTIBIÓTICOS NA RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA DE Escherichia coli EM INFECÇÕES URINÁRIAS COMUNITÁRIAS EM MULHERES

DOI

Autores

Heloise Maia Garcia
Ariadina Rakell Silva De Carvalho
Ellen Caroline dos Santos Bento
Ester Nunes Pinto
João Felipe Sales Gomes
Júlia Maria de Jesus Martins
Tailane Kaynan da Silva Sousa
Rannara Sousa Silva Sá
Vanessa Alves Augustinho
Breno Gleidney da Silva Pires

Resumo

As infecções do trato urinário (ITUs) constituem um dos diagnósticos infecciosos mais prevalentes na prática clínica ambulatorial, acometendo predominantemente mulheres em idade reprodutiva e idosas. A Escherichia coli uropatogênica (UPEC) é responsável por 70% a 90% dos casos adquiridos na comunidade, sendo dotada de sofisticados fatores de virulência que lhe permitem colonizar, invadir e persistir no trato urinário. Paralelamente, a automedicação com antibióticos configura-se como prática amplamente disseminada no contexto brasileiro, impulsionada por barreiras de acesso ao sistema de saúde, fatores socioeconômicos e lacunas no conhecimento popular sobre o uso racional de medicamentos. Essa prática expõe repetidamente o patógeno a concentrações subterapêuticas de antimicrobianos, favorecendo a seleção e a disseminação de cepas resistentes na comunidade. A resistência antimicrobiana da E. coli às classes de antibióticos rotineiramente empregados no tratamento das ITUs, incluindo betalactâmicos, fluoroquinolonas e sulfonamidas, constitui um problema crescente de saúde pública, associado ao aumento das taxas de falha terapêutica, de recorrência infecciosa, de internações hospitalares e de mortalidade. Os principais mecanismos envolvidos incluem a produção de betalactamases de espectro estendido (ESBLs), mutações nos genes que codificam as topoisomerases-alvo das quinolonas, bombas de efluxo, formação de biofilme e disseminação horizontal de genes de resistência por plasmídeos. O presente estudo consiste em uma revisão narrativa da literatura, conduzida com buscas estruturadas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, Google Acadêmico e ScienceDirect, com base em artigos originais e estudos retrospectivos segundo critérios de inclusão e exclusão rigorosamente definidos, publicados entre 2022 e 2026. Os resultados integrados evidenciam que a automedicação com antibióticos contribui de maneira substancial para a emergência e a consolidação da resistência antimicrobiana em cepas de E. coli, comprometendo a eficácia dos esquemas terapêuticos disponíveis para o tratamento das ITUs femininas comunitárias, e reforçam a urgência de estratégias de saúde pública voltadas ao uso racional de antimicrobianos.

Palavras-chave: Infecção do trato urinário; Escherichia coli; Resistência antimicrobiana; Automedicação; Antibióticos.

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