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Editora Novus

Capítulo 18

Título

EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS/MA

DOI

Autores

Herbet Macedo Ferreira
Nayara Alves de Sousa

Resumo

As transformações recentes nos sistemas agrícolas associadas às alterações do clima intensificam vulnerabilidades em territórios rurais, especialmente em contextos de produção em pequena escala. A escolha do tema e do recorte territorial justificou-se pela relevância socioeconômica da produção rural em São Luís/MA e pela problemática local relatada nas comunidades investigadas, marcada por irregularidade das chuvas, aumento das temperaturas e estiagens mais prolongadas, com repercussões sobre produção, renda e segurança alimentar. O estudo teve como objetivo analisar a relação entre mudanças climáticas e agricultura familiar em São Luís/MA, integrando três dimensões analíticas fundamentais: (1) perfil produtivo e socioeconômico das unidades familiares; (2) impactos percebidos e efeitos sobre produção, renda e segurança alimentar; e (3) estratégias de adaptação, vulnerabilidades e expectativas/recomendações. Adotou-se abordagem qualitativa, estruturada como estudo de caso, com revisão bibliográfica, análise documental (PLAMSAN, Plano Diretor e PMAF) e pesquisa de campo por questionário on-line autoaplicável (14 questões). Os informantes foram definidos de forma intencional, considerando agricultores familiares ativos que exercem simultaneamente funções produtivas e de liderança comunitária (agricultores-chave), maiores de 18 anos, residentes nas dez comunidades rurais delimitadas, com acesso via SEMAPA, associações de produtores e compartilhamento por WhatsApp/formulário digital, resultando em 10 respostas válidas. Os resultados indicaram percepção de alterações climáticas por 100% dos participantes, com destaque para aumento do calor (100%) e irregularidade das chuvas (90%), além de estiagens prolongadas e chuvas intensas concentradas (50% cada). Houve relato de prejuízos produtivos por 100% dos informantes, com redução da produtividade (100%), aumento de custos (60%) e diminuição da disponibilidade hídrica (50%), sendo a estação seca apontada como período de maior intensidade de impactos (80%) e o abandono de alguma cultura por 90%. No campo socioeconômico, 90% relataram redução de renda e 80% indicaram suficiência alimentar apenas em determinados períodos do ano. As estratégias de adaptação mencionadas concentraram-se em buscar assistência técnica (50%) e diversificar culturas (20%), além de ajustes no plantio e armazenamento hídrico (10% cada), indicando necessidade de fortalecimento de ações públicas estruturantes e de apoio técnico contínuo no território.

Palavras-chave: resiliência climática; vulnerabilidade socioambiental; adaptação agrícola; segurança alimentar; assistência técnica e extensão rural.

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