As transformações recentes nos sistemas agrícolas associadas às alterações do clima intensificam vulnerabilidades em territórios rurais, especialmente em contextos de produção em pequena escala. A escolha do tema e do recorte territorial justificou-se pela relevância socioeconômica da produção rural em São Luís/MA e pela problemática local relatada nas comunidades investigadas, marcada por irregularidade das chuvas, aumento das temperaturas e estiagens mais prolongadas, com repercussões sobre produção, renda e segurança alimentar. O estudo teve como objetivo analisar a relação entre mudanças climáticas e agricultura familiar em São Luís/MA, integrando três dimensões analíticas fundamentais: (1) perfil produtivo e socioeconômico das unidades familiares; (2) impactos percebidos e efeitos sobre produção, renda e segurança alimentar; e (3) estratégias de adaptação, vulnerabilidades e expectativas/recomendações. Adotou-se abordagem qualitativa, estruturada como estudo de caso, com revisão bibliográfica, análise documental (PLAMSAN, Plano Diretor e PMAF) e pesquisa de campo por questionário on-line autoaplicável (14 questões). Os informantes foram definidos de forma intencional, considerando agricultores familiares ativos que exercem simultaneamente funções produtivas e de liderança comunitária (agricultores-chave), maiores de 18 anos, residentes nas dez comunidades rurais delimitadas, com acesso via SEMAPA, associações de produtores e compartilhamento por WhatsApp/formulário digital, resultando em 10 respostas válidas. Os resultados indicaram percepção de alterações climáticas por 100% dos participantes, com destaque para aumento do calor (100%) e irregularidade das chuvas (90%), além de estiagens prolongadas e chuvas intensas concentradas (50% cada). Houve relato de prejuízos produtivos por 100% dos informantes, com redução da produtividade (100%), aumento de custos (60%) e diminuição da disponibilidade hídrica (50%), sendo a estação seca apontada como período de maior intensidade de impactos (80%) e o abandono de alguma cultura por 90%. No campo socioeconômico, 90% relataram redução de renda e 80% indicaram suficiência alimentar apenas em determinados períodos do ano. As estratégias de adaptação mencionadas concentraram-se em buscar assistência técnica (50%) e diversificar culturas (20%), além de ajustes no plantio e armazenamento hídrico (10% cada), indicando necessidade de fortalecimento de ações públicas estruturantes e de apoio técnico contínuo no território.
Palavras-chave: resiliência climática; vulnerabilidade socioambiental; adaptação agrícola; segurança alimentar; assistência técnica e extensão rural.