O burnout entre médicos é um fenômeno ocupacional relevante para a saúde dos profissionais e para a organização dos serviços. Segundo a Organização Mundial da Saúde, na CID-11, decorre de estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso e envolve exaustão, distanciamento mental ou cinismo e redução da eficácia profissional. Este capítulo revisa definição, mensuração, prevalência, fatores ocupacionais, impactos assistenciais, evidências brasileiras e estratégias de prevenção. Realizou-se revisão narrativa estruturada em agosto de 2026, com 16 referências, incluindo documento oficial, relatório de consenso, revisões sistemáticas, metanálises e estudos observacionais. Rotenstein et al. (2018), ao analisarem 182 estudos, 109.628 médicos e 45 países, encontraram prevalências entre 0% e 80,5% e pelo menos 142 definições distintas, evidenciando forte heterogeneidade metodológica. No Brasil, os percentuais variam conforme especialidade, população, período e critério utilizado. A literatura associa burnout a condições adversas de trabalho e a piores indicadores de segurança, profissionalismo e satisfação dos pacientes, sem permitir inferência causal simples em todos os cenários. Metanálises indicam que intervenções podem reduzir burnout e sugerem benefício maior quando mudanças individuais são combinadas a intervenções organizacionais. Conclui-se que prevenção efetiva requer mensuração padronizada, apoio institucional, autonomia, proteção do descanso, redução de cargas evitáveis e redesenho do trabalho.
Palavras-chave: Burnout; Médicos; Saúde Ocupacional; Saúde Mental; Segurança do Paciente.